quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A liberdade não tem destino


1969. No auge da cena Sexo, Drogas e Rock’n Roll surge “Easy Rider”, road movie ambientado bem na era da grande transformação política, comportamental, social, estilística, entre tantas outras que a geração coca-cola não teve a oportunidade de acompanhar em tempo real.

Impulsionando o movimento dos motoqueiros, hoje chamados motociclistas, “Sem Destino”, como é conhecido em português, é um ícone da contracultura.

Os protagonistas são dois motociclistas, Wyatt ou 'Capitão América' (Peter Fonda) e Billy ( Dennis Hopper). Fonda e Hopper disseram que estes dois personagens referem-se a Wyatt Earp e Billy the Kid. Wyatt veste-se de cabedal adornado com a bandeira americana, enquanto Billy se veste com calças e camisa ao estilo dos nativos americanos. A direção é de Hopper, a produção de Fonda e o roteiro, de ambos.

São dois doidarrões vindos sabe-se lá de onde. Os personagens pouco se falam, mas a honestidade transmitida pelos atores em forma de expressão corporal, principalmente de Hopper, é suficiente para ganhar, de cara, a simpatia do público.

Os dois amigos partem então de avião com destino ao México, onde compram uma porção de cocaína e voltam para os E.U.A, onde a droga é vendida. A grana levantada é usada rapidamente na compra de duas motocas incrementadas até para os dias de hoje. O troco é armazenado nas mangueiras dos tanques de gasolina das motos. Destino: Mardi Gras, o carnaval de New Orleans. Rota: 66.

Pessoas de diferentes procedências os acolhem no decorrer da aventura, desde camponeses em propriedades rurais até hippies em comunidades alternativas.

A surpresa fica por conta do então iniciante Jack Nicholson, no papel do advogado alcoólatra George Hanson, encarregado de tirar os malacos da cadeia, após serem presos por desobedecerem a ordem numa cidadezinha do interior.

Bêbado, o advogado arruma um capacetinho, monta na garupa de uma das motocicletas e embarca na viagem com eles - na cena em que ele consome maconha pela 1ª vez, fica claro, o cunho cômico que o filme também carrega.

Na trilha sonora, clássicos como “Born to be Wild” e “The Pusher”, da banda canadense Steppenwolf, além de “The Weight”, uma espécie de hino hippie. Puro rock setentista bem distribuído em uma hora e trinta e cinco minutos de duração.

A carga psicodélica e dramática é reservada para o final e traduz uma parcela conflitante da ideia do sonho americano, tão presente na mentalidade da geração que vivenciou a época e conseguiu romper paradigmas preconceituosos que persistiam nos anos 60, no momento em que a utopia ainda não fazia parte da ideologia Paz e Amor.

“Easy Rider” mudou a vida de muita gente, principalmente dos motoqueiros, que não se cansam de ouvir sempre as mesmas músicas há mais de 30 anos, em encontros promovidos pelo mundo todo.

A viagem “Sem Destino” ainda não terminou. Os motociclistas de hoje não me deixam mentir. Eles ainda carregam no coração, pelas estradas, a sensação de liberdade expressa em “Easy Rider”.

Um comentário:

  1. Pra nos que nao pegamos essa epoca é fabuloso!

    dificil obter esse desprendimento atuado da decada de setenta

    os valores eram outros

    o sonho é mesclar as duas epocas.
    ainda bem que existem filmes e dialogos extraordinarios que nos remetem diretamente a epoca!

    ResponderExcluir