quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"Os Bons Companheiros": politicamnte incorreto?


O talento do diretor Martin Scorsese dividiu as águas do cinema pop em 1990 com “Os Bons Companheiros”. Paradigmático, puxou a fila de filmes como “Pulp Fiction”, “Trainspotting”, “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” e outros do mesmo gênero.

O já consagrado cineasta apresentou técnicas apuradas para a época. As tomadas em plano-sequência e o rítmo frenético desenrolam o longa. Os recursos utilizados na edição causam a impressão de que o filme é mais longo do que as duas horas e vinte cinco minutos de duração. A fotografia é primorosa.

Como não poderia ter sido diferente, deu tudo muito certo. A academia tanga frouxa fingiu não perceber a inovação e deu o Oscar à “Dança com Lobos” em 1991.

Scorsese não sabia que só ganharia o estatueta quase vinte anos depois com “Os Infiltrados”, ao dizer na época do lançamento de “Goodfellas”(título original), de que aquele filme de máfia protagonizado por Robert de Niro, Ray Liotta e Joe Pesci era sua grande aposta, entre toda sua obra, para levar a estatueta.

Como o Oscar não quer dizer nada, “Os Bons Companheiros” foi sucesso de crítica e público. Baseado em fatos reais ocorridos nas décadas de 60 e 70, o filme conta a história de Henry Hill (Ray Liotta), garoto pobre do bairro novaiorquino Brooklin, descendente de irlandeses, que sonha em se ingressar na máfia italiana. Logo os maiorais do pedaço se simpatizam por ele, mesmo não sendo carcamano e passam a tratá-lo com queridinho.

Na organização, Henry conhece o esquentadinho não, violento, Tommy de Vito (Joe Pesci) - vencedor do Oscar como melhor ator coadjuvante - e Jimmy Conway (Robert de Niro), mafioso de expressão, que lhe dá apoio e confiança para que ele cresça nos negócios. Eles tornam-se grandes companheiros, ou melhor, “Os Bons Companheiros”. Os personagens estão inseridos na camada inferior da hierarquia do crime organizado, o que não diminui a astúcia deles. Participam de grandes roubos e ganham muito dinheiro.

Os três constroem uma amizade sólida tanto na vida criminosa como na vida pessoal. Neste período, Henry acaba se casando, mas tem uma amante, que visita regularmente. Não consegue ser um membro efetivo, pois seu pai era irlandês. Se distancia dos negócios normais da máfia numa era onde os gângsteres tinham status de glamour, de luxo e ostentação. No auge do prestígio se envolve com o tráfico de drogas e entra na mira do FBI.

Destaque para o sarcasmo da cena em que eles passam pela casa da mãe de Tommy de Vito, após um crime.

Mesmo com a violência escancarada nas salas de cinemas o filme ainda choca, com imagens violentas, mas não explicitas, o que torna o filme uma aula de direção e roteiro.

A inteligência narrativa deste filme marca Scorsese como um dos melhores cineastas de sua geração. Pensando bem, ele não merecia mesmo levar o Oscar por essa obra-prima, concorrendo com “Dança com Lobos”.

3 comentários:

  1. Parabéns André pela iniciativa de fazer este blog. Pessoalmente não conheço ninguém que conheça e entenda de cinema como você. Continue atualizando, para que eu possa conhecer os filmes pelas suas resenhas.

    ResponderExcluir
  2. Hey André, muito bem, o conheciemnto deve ser transmitido.Sai as viagens de volta da facu monótonas e deixa entrar as resenhas instigantes sobre os diretores de cinema e suas obras que parecem bolsões de conteúdo. Que o blog possa expandir seu talento.

    ResponderExcluir
  3. Obrigado Mário e Neuber pelo apoio. Vou continuar postando sim.

    abs

    ResponderExcluir