terça-feira, 27 de outubro de 2009

Um por todos, todos por um!!


Qual mensagem se tornaria marcante em um filme que se baseia num conto do escritor Stephen King, autor de “Cemitério Maldito” e “Colheita Maldita”, além das lembranças de uma passagem da vida em que os filmes de terror causavam tanto medo, compartilhado com os amigos em sessões de cinema ou na casa de algum camaradinha que ostentava um vídeo cassete?

Quem nasceu, pelo menos no começo dos anos 80 e gostava de assistir filmes, deve saber que o cinema feito para o público juvenil nessa década prezava por cada uma das amizades que começavam ali. “Indiana Jones”, “Os Fantasmas se Divertem”, “Os Goonies”, “Os Caça-Fantasmas”, “Inimigo Meu” e “De Volta para o Futuro” são apenas alguns exemplos de que a sétima arte é uma das responsáveis por não deixar romper a tênue linha que liga o passado ao presente.

Como se as lembranças remetentes aos mais nobres momentos da infância estivessem essencialmente ligadas à linguagem do cinema infanto-juvenil anos 80 e atreladas às descobertas conjuntas no então estabelecido ciclo de amizade.

Fica mais difícil construir amizades verdadeiras, como as que são feitas quando se tem 12 ou 13 anos. É por essa premissa que “Conta Comigo”, lançado em 1986, deixa sua marca. Dirigido por Rob Reiner, o bem aventurado drama, exibe talvez uma das mais bonitas demonstrações de amizade já vistas no cinema.

A história, baseada no conto "The Body", de Stephen King, mostra uma faceta humanizada do autor, à altura de sua genialidade como mestre do terror. É a obra mais pessoal de King - seu irmão morreu em um acidente de carro - assim como o personagem principal Gordie (Wil Wheaton), que se torna escritor.

O filme é narrado a partir das recordações de Gordie, que já adulto, está escrevendo um livro. No ano de 1959 quatro amigos moradores da pequena cidade americana chamada Castle Rock partem para uma daquelas inesquecíveis jornadas capazes de alterar a trilha dos acontecimentos vitais.

Chris Chambers (River Phoenix) é o líder e protetor da turma. Gordie (Wil Wheaton), contador de histórias e o mais sensível do grupo, faz uma emocionante parceria com Chris.

Vern (Jerry O'Connell) é um tanto quanto problemático e emocionalmente desequilibrado, e, o gordinho Teddy Duchamp (Corey Feldman), o mais infantil e iludido, é o responsável por avisar os amigos, após ouvir, por acaso, uma conversa sobre um garoto que estava desaparecido no meio da mata.

Querendo ser heróis aos olhos da cidade, eles partem numa inesquecível viagem de dois dias que se transforma em uma odisséia de autodescoberta.

Ao logo da aventura é possível identificar, de forma mais específica, a personalidade de cada um, transmitida pela extenuação das amarguras e problemas dos personagens.

Fica, portanto, a mensagem de que no apoio mútuo e solidário transparece a verdadeira insegurança diante das dúvidas que rondam os 12 anos de idade, no momento em que se tem a rara oportunidade de confiar na exata franqueza de quem está ao seu lado.

Na trilha sonora, a maravilhosa “Stand by me” (título original do filme), de John Lennon, na interpretação de Ben e King.

Não importa se você tem 10 ou 60 anos, Conta Comigo não atinge só as crianças. É um filme diferenciado, talvez pelo fato de retratar o amparo entre seres humanos, que vai se extinguindo conforme os anos vão se passando.

As pessoas acreditam que com o passar do tempo ficam mais independentes, mais fortes, por assim dizer. Mas eu acredito que não, que é importante sim, sempre poder contar comigo, contigo, com vós, com eles...

2 comentários:

  1. O André, que aula hein.
    Eu ainda nem vi esse filme mas vou ver.
    Abraço.

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  2. POw e não é?

    Duas observações interessantes suas, André, e assim o diretor nos conseguiu passar através das telonas.

    Nas Primeiras amizades não há defeito, só contribuição. O outro permite que vocêadquira forma e assim vice-versa, tudo baseado na verdade. È onde você se atira de cabeça nos camaradas que hoje agente acharia os mais improváveis.

    Já, o retorno ao passado, lapso fugaz da infância é permitido pelos detalhes da revisão dos filmes pertencentes a esse tempo.

    Relembrar é viver.

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