terça-feira, 6 de abril de 2010

Sustentados pelo merecimento


Uma mulher que muda bruscamente a vida de um homem. Situação corriqueira, mas que se torna original quando um romance tem a capacidade de superar obstáculos, não obstante a violência, pela necessidade de dar continuidade a uma bela e perigosa história de amor.

Roteiro de Quentin Tarantino, com direção de Tony Scott - o mesmo de “Top Gun - Ases Indomáveis” - Amor à Queima Roupa (True Romance), lançado em 1993, conta a história do balconista Clarence, interpretado por Cristian Slater, que trabalha em uma loja de revistas em quadrinhos. Clarence é um sujeito solitário, meio nerd e fã de Elvis Presley (Val Kilmer), de quem recebe delirantes conselhos durante o filme.

No dia de seu aniversário, ele conhece Alabama, vivida pela excelente Patrícia Arquette. Mesmo após descobrir que a moça foi mandada por seu patrão como presente de aniversário, ele se apaixona porque compartilham gostos: quadrinhos de super-heróis, filmes asiáticos de artes marciais e batata frita. Se conhecem no cinema e casam na manhã seguinte.

Até aí, normal. O problema é que a loira trabalha como garota de programa e vive sob a tutela truculenta de um cafetão. Com visual jamaicano pra lá de grotesco, cheio de cicatrizes no rosto e trejeitos assustadores, Gary Oldman dá vida curta ao criminoso Drexel Spivey.

Clarence talvez só contasse com a aparição de Alabama em sonhos bons e vai atrás de Drexel a fim de pegar os pertences da amada. Em meio a um tiroteio, o herói resgata uma mala cheia de cocaína pensando ser as roupas da garota.

Movidos pela oportunidade de transformar sonhos em realidade, os dois fogem com a encrenca para Hollywood, onde pretendem tentar passar a coca para algum barão do cinema, sem saber que tem uma quadrilha de violentos mafiosos italianos no encalço.

Dennis Hopper é o policial Clifford Worley, pai de Clarence. Durante a fuga, os pombinhos passam pela cidade onde ele mora e deixam pistas pelo caminho. Logo os sicilianos chegam ao casebre do tira com a intenção de tomarem informações quanto ao paradeiro dos aventureiros sonhadores.

Cristopher Walken é o chefe da trupe engravatada e trava com Hopper um diálogo simbólico sobre a origem dos sicilianos num embate interpretativo memorável entre dois mestres.

Na viagem animada pelas poeirentas estradas norte-americanas, de Detroit a Los Angeles, o público tem ainda a oportunidade de conhecer um drogado alucinado, vivido por Brad Pitt, entre outros atores consagrados que fazem pontas no filme, como Samuel L. Jackson, Tom Sizemor e James Godolfini.

Uma curiosidade: É o primeiro roteiro que Tarantino tentou vender, mas ninguém parecia ver algo interessante nele. Quando, de repente, uma montanha de astros de primeira grandeza ficou a fim de aparecer no filme sem cobrar cachês milionários.

Na seqüência para o epílogo, a torcida pela vitória da sutileza do casal é inevitável. Em meio a um banho de sangue, resta aos dois confiarem em suas intuições com a promessa de viverem um merecido conto de fadas, escrito nas estrelas.

Um longa repleto de energia e clímax, embutidos numa narrativa linear, no caso de "True Romance", que, aparentemente, seria simples demais para ser rodado.

Uma prova de que uma boa história pode ser filmada por outros diretores, mantendo, assim, a aura da genial estética pop singular de Tarantino.

Um comentário:

  1. Casar com presentinho na manhã seguinte!

    normal.

    hahahah

    e os personagens que o Christopher Walken faz?
    Só gente Boa!
    hahaha

    muito massa esses filmes, ainda mais quando
    o Walken age como um pit-bull que apanhou muito, mas muito mesmo antes da caçada!

    Boa pedida Salgueiro.

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